Estas foram as providências implementadas pelos integrantes de um grupo de direita da Paraíba que preparava na semana passada ataques a políticos paraibanos contrários à gestão armamentista do presidente Jair Bolsonaro (PSL).
A articulação dos bolsonaristas para essas medidas ganhou peso na noite do último dia 19, assim que a primeira matéria do Diário da Paraíba sobre o caso começou a se espalhar e repercutir pelas redes sociais. Para obter os dados da trama contra os três senadores paraibanos e contra João Azevêdo e Ricardo Coutinho, ambos do PSB e respectivos governador e ex-governador do estado, a reportagem do DP se “inscreveu” no grupo direitista e passou a participar do chat dos membros bolsonaristas. Todavia, um repórter da TV Tambaú entrou no grupo se identificando e informando que estava interessado em fazer uma reportagem para a tevê onde trabalha. O repórter foi bastante hostilizado.
Os direitistas não concordaram em dar entrevistas e determinaram que o profissional da imprensa “vazasse” do grupo. Eles se mostraram bastante agressivos. Ele afirmaram que, só depois que os outdoors estivessem nas ruas de João Pessoa e Campina Grande, é que iam “pensar em dar entrevistas”. Intimidado, o repórter saiu do grupo. Logo depois, quando o DP publicou a primeira matéria (de sua autoria e não do profissional da TV Tambaú), eles começaram a afirmar que o vazamento só poderia ter partido do repórter que queria uma entrevista (o que, realmente, não foi).
Um dos bolsonaristas do grupo chegou a escrever no chat: “Que escroto [referindo-se ao repórter da TV Tambaú], merece uma surra boa”. Antes, um deles havia registrado: “A gente deve ter muito cuidado com quem entra e com quem sai do grupo”. Percebendo que haviam sido desmascarados, logo mudaram o nome do grupo no Whatsaap de ‘Outdoor Traidores PB’ para ‘Molon Labe’. Assim que a matéria do DP foi compartilhada no grupo direitista, um dos integrantes registrou: “Já dei a minha parte no que eu poderia ajudar. Agora, o que estou achando é o seguinte: a forma como foi criado este grupo (...) a forma de ir colocando pessoas de qualquer forma (...) tenho a certeza de que tem pessoas ligadas a um, a dois ou aos três [em referência aos senadores José Maranhão, Veneziano Vital do Rêgo e Daniela Ribeiro], que entrou no grupo e está fazendo este tipo de coisa (...) Esta notícia aqui é a prova que tem alguém infiltrado no grupo, ou mais de uma pessoa (...) vamos fazer o outdoor, não interessa (...) tem que botar onde bem entender, não tem que estar com medo de nada”.
Um outro bolsonarista complementou: “Na época do impeachment [da presidente Dilma Rousseff (PT)], colocamos vários outdoors eletrônicos com fotos e nomes dos deputados e não tivemos esse tipo de problema”. Mais um outro direitista acrescentou: “Ninguém aqui está armando um golpe de estado. É uma manifestação apartidária.
Agora, você veja que bosta de repórter que botou: ‘imagens de meninos negros’, já numa tendenciosidade flagrante”. Por fim, o coordenador do grupo estabeleceu: “Galera, vou fazer uma limpeza no grupo.
Só ficarão as pessoas que pagaram [a vaquinha do outdoor]. Então, pra facilitar o meu controle, me mandem os comprovantes no meu privado, juntamente com o nome”. Por segurança, devido ao clima de hostilidade e ameaças, a reportagem do Diário da Paraíba saiu do grupo

Entenda o caso Um grupo de direita na Paraíba, que apoia o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e que defendia os decretos de liberação das armas, utilizou o Whatsaap para arrecadar dinheiro que seria destinado a atacar, a princípio, as imagens do governador João Azevêdo (PSB), do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) e dos três senadores paraibanos: Veneziano Vital do Rêgo (PSB), Daniella Ribeiro (PP) e José Maranhão (MDB). Eles pretendiam espalhar outdoors por João Pessoa e Campina Grande apontando os cinco políticos como “traidores do povo”, “demonstrando nossa insatisfação com a bancada paraibana no Senado”. No endereço do grupo, eles alertavam que só deveria entrar “quem for contribuir financeiramente”.
O fato dos senadores terem votado contra o decreto de Bolsonaro e o governador João Azevêdo ter comemorado o posicionamento do Senado alimentou ainda mais o ódio dos bolsonaristas, que têm em Ricardo Coutinho como um inimigo forte. De forma exclusiva, a reportagem do Diário da Paraíba conseguiu entrar no grupo e ter acesso a várias informações acerca da manobra em andamento de desqualificação dos políticos paraibanos.
Diário da Paraíba

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